sexta-feira, junho 25, 2010

O SOFRIMENTO DA ALMA NA ENFERMIDADE

O início do sofrimento espiritual tem lugar no instante em que o indivíduo abandona a orientação de Deus. Adão percebeu isso imediatamente, ao desobedecer a Deus. Ao pros­seguir o crente o seu curso fora do olhar orientador de Deus, a culpa em sua alma vai crescendo de intensidade, provocando uma confusão em sua mente e, eventualmente, enfermidade em seu corpo. Quando a alma sofre, o corpo e a mente sofrem com ela. Quando o corpo sofre, a mente e a alma sofrem com ele. "De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele..." (I Coríntios 12:26).
As preocupações reprimidas, em realidade, não são repri­midas e esquecidas como muitos gostariam de acreditar. Nunca ficam estagnadas, mas crescem e se tornam mais complexas, enquanto adicionamos cuidado sobre cuidado, até que finalmente chega a ocasião em que ficamos presos às preocupações co­nosco mesmos.
Quando o chamado paciente crente nervoso, se encontra a escorregar para tal teia, Deus não tenciona que ele siga o mesmo curso para o qual os perdidos apelam, que divertem seus pensamentos com as coisas deste mundo quando as preocupações os assaltam. Deus tem reservado algo bem me­lhor para nós, os crentes. Somos Seus remidos, filhos compra­dos a sangue, preciosissimos aos Seus olhos.
Ele não nos redimiu a fim de que pudéssemos nos ajustar a este mundo, e esperássemos até morrer fisicamente para entrar na Sua glória. Antes, proporcionou-nos o Seu Santo Espírito como Consolador, Instrutor e Guia, através da peregrinação por este deserto. Muitos crentes, porém, hesitam e relutam em acompanhar a orientação desse divino Piloto. Pelo contrário, seguem tropeçando por seus próprios caminhos, ficando cansados, mau-humorados e desencorajados. A nova natureza que receberam os adaptou à vida celeste, mas se per­mitem viver segundo suas paixões do passado. E então o Espírito Santo os convence de que são culpados.

Cura Para os Crentes Nervosos


Na mente do crente legitimo não se levanta dúvida que Deus pode curar, e realmente o faz, nestes nossos dias. Ele cura de muitas maneiras miraculosas hoje em dia, usando ins­trumentos humanos como Seus agentes. Ele "ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre" (Hebreus 13:8).
O crente "nervoso", por sua própria natureza ansiosa, é suscetível a todas espécies de doutrinas de cura que ofere­çam esperança de alívio. Em seu estado de ansiedade não é capaz de "discernir os espíritos" e é envolvido por várias doutrinas espúrias. Acredita que deve experimentá-las porque seus advogados afirmam baseá-las em alguma verdade básica da Bíblia.
Porém, nem todos os que procuram essas curas são real­mente curados. De fato, a grande maioria é deixada confusa, amargurada, desencorajada e embaraçada, não desejando en­contrar-se com seus amigos crentes, temendo que estes o acusem de algum pecado oculto ou não confessado, ou de falta de fé. Por causa dessa atitude tão comum, alguns crentes nervosos se sentiriam condenados se procurassem alívio, para seus sofri­mentos emocionais e físicos, em alguma fonte médica científica.
Aparentemente não têm consciência do fato bíblico que uni dos escritores bíblicos, Lucas, que escreveu o Evangelho que traz o seu nome, era médico, e que o apóstolo Paulo levava com ele, em suas viagens missionárias, o Dr. Lucas, como seu médico particular.
Lemos que Paulo buscou a cura divina para si mesmo, mas Deus achou mais sábio deixá-lo com "um espinho na carne", para mantê-lo humilde. Certamente se a cura dependesse somente da fé e de uma comunhão íntima com Deus, Paulo teria sido curado.
Também lemos que Paulo foi usado por Deus para curar muitos sofredores enquanto estava fazendo suas viagens mis­sionárias. Contudo, Deus não quis curar todos os pacientes de Paulo, pois Paulo mesmo é quem escreve, dizendo: "Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto" (II Timóteo 4:20).
Além disso, se não houvesse doenças e sofrimentos, natu­ralmente seria necessário que não houvesse também a morte do corpo.
Hoje em dia Deus responde às orações de Seus separados, que pedem pela cura da enfermidade, quando isso Lhe parece melhor, de acordo com Seu propósito e planos divinos. Ele dá Sua aprovação e bênçãos aos agentes humanos (médicos e cirurgiões) para que aliviem os sofrimentos humanos. Os médicos freqüentemente atestam sobre o fato que há certos pacientes que parecem não ter esperança de cura, mas, por alguma razão que ultrapassa o poder do homem, se recuperam depois da cirurgia fazer um "remendo" a um corpo fisicamente gasto. Por semelhante modo, os medicamentos, tomados para aliviar o sofrimento e a fadiga corporais, têm seu próprio lugar; até mesmo os sedativos são necessários para crentes e descren­tes, a fim de ajudá-los em alguma crise.
O receio de que seus amigos pensem que não têm fé su­ficiente no Senhor Jesus, se procurarem auxílio médico, tem levado muitos pacientes, que são crentes nervosos, a adiar o tratamento, até que acabam debilitados por alguma doença crônica o que provoca não apenas muito sofrimento desneces­sário, mas até a morte prematura, bem como dificuldades econômicas para toda a família.

Miseráveis Confortadores


A verdade é que o sofrimento da alma é mais difícil de suportar que quaisquer outras formas de sofrimento, porque ninguém, além do Grande Médico, pode examinar a alma e reconhecer o germe que deu início a todo o completo sofri­mento, e que, com o decorrer do tempo, transparece na forma
de sofrimento mental ou corporal. Geralmente há pessoas zelo­sas que adicionam sofrimento aos sofrimentos das pessoas a quem aconselham, por imitarem os amigos de Jó. Jó disse para seus amigos, porque viam seu sofrimento e queriam ver a continuação do mesmo: "...vós todos sois médicos que não valem nada" (Jó 13:4), e: "todos vós sois consoladores mo­leste" (Jó 16:2).
Igualmente há muitos pacientes hoje em dia que são molestados com exortações "religiosas", tais como: "Você deve estar escondendo algum pecado não confessado..." "Ore a respeito..." "Você tem falta de fé em Deus".
Talvez não haja pecado oculto que deva ser confessado. Talvez o paciente esteja vivendo, dia a dia, de conformidade com a promessa de Deus que diz: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I João 1:9).
Além disse, exortar a esses pacientes que procurem algum pecado oculto os torna ainda mais introspectivos, e limita mais e mais o alcance de seus pensamentos, fazendo-os voltar-se para o "eu". É então que esses pacientes se atemorizam e dizem consigo mesmos- "Acho que estou perdendo o juízo". Tudo isso, como é de esperar, torna o paciente um candidato em potencial para a psiquiatria.
Chegamos até a perguntar se esses conselheiros, nomeados como tais por si mesmos, já consideraram alguma vez que estão aumentando os sofrimentos dos pacientes a quem aconselham!

Sofrendo, Mas Não por Causa de Pecado


A pergunta é a seguinte: Qual a vontade ou plano de Deus, para a vida individual? O sofrimento é resultado de sua própria indulgência, de sua própria maneira de vida; ou antes Deus permite que alguns de Seus santos atravessem a fornalha da aflição que lhes serve de processo de refinação, para que saiam dali como vasos que glorifiquem a Deus? Temos a história verídica daquele homem que nasceu cego, tendo sofrido dessa inconveniência até ter-se encontrado com o Senhor Jesus. Nosso Senhor explicou que sua cegueira não era devida ao pecado, dele mesmo ou de seus pais, mas para que sua cura, e mais tarde, seu testemunho, glorificassem a Deus.
Muitos crentes não podem aceitar seus sofrimentos com a mesma atitude graciosa do apóstolo Paulo, o qual, chegou a proferir aquelas palavras que revelam sua atitude: "De boa vontade, pois, me gloriarei nas fraquezas; para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (II Coríntios 12:9).
Nós crentes não devemos ter a ousadia de criticar os so­frimentos dos outros irmãos na fé. Como podemos julgá-los? Afinal de contas, não podemos ler a mente de Deus, e só podemos medir os sofrimentos dos irmãos segundo nosso ponto de vista. Deus chama cada santo Seu para um ministério especial: "A manifestação do Espírito é concedida a cada um. visando um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento..." (I Coríntios 12:7,8).
É evidente, ao observarmos os sofrimentos de alguns santos de Deus, que Deus chama e dá a cada um segundo a medida que Ele quer. Nem todos os santos podem suportar igualmente os sofrimentos, e Deus conhece quem confia n'Ele e se deixa guiar por Ele. Eis o motivo porque alguns santos são poderosamente usados por Deus, enquanto que se outros fossem postos naquela mesma posição, falhariam e até deson­rariam Seu santo Nome.

Deus Parece Tão Afastado
Os pacientes nervosos, que vêm sofrendo há longo tempo, geralmente dizem: "Deus parece tão afastado... Ele não ouve minhas orações. Ele me esqueceu e me está castigando por algum pecado que cometi no passado".
Retornemos mais uma vez aos parágrafos anteriores e notemos o insidioso início da enfermidade espiritual. Foram descuidados para com Deus e se afastaram para longe d'Ele, voltando os desejos de seus corações para as coisas deste mundo. Entretanto, Deus não se esqueceu deles, pois Ele é sempre fiel à Sua chamada; eles é que se esqueceram de Deus.
Se Deus lhes parece tão afastado, isso apenas mostra como eles têm ido para longe d'Ele.
Deus nos tem dado um plano definido de higiene espiritual, por meio do qual podemos evitar ser dominados pelos sintomas emocionais e nervosos.

Auto-Julgamento — A Chave da Saúde Espiritual


Quando o filho de Deus se sente culpado, deve considerar isso como um sintoma que nem tudo está correndo bem no terreno espiritual, tomando-o como uma advertência, e aplicando-o da mesma maneira que alguém usa um termômetro para verificar a temperatura do corpo físico.
O auto-julgamento é um dos mais saudáveis exercícios que o crente pode fazer, dependendo dele para manter-se em excelentes condições de saúde espiritual. O auto-julgamento se acha presente em todo crente regenerado. Porém, sua efi­cácia, como orientação preventiva, depende de quão intimamente o crente anda com Deus; pois o quadro será diferente se ele se volta imediatamente para Deus ou se prefere seguir pelo seu próprio caminho, atraindo contra si mesmo os temores, as ansiedades, a confusão mental e o sofrimento corporal.
Não há necessidade alguma do sentimento de culpa per­manecer apegado à consciência do crente. Quando o filhp de Deus se sente culpado e atemorizado, é porque o Espírito Santo lhe está ordenando que se chegue ousadamente ao trono da graça e se arrependa, confessando sua culpa e pedindo perdão. Deus nos tem prometido que: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I João 1:9).
Quando o crente percebe que pode apresentar-se perante Deus como se nunca tivesse cometido pecado, o sentimento de culpa desaparece. O próprio fato que não confessamos, aos primeiros sinais de culpa, mostra que relutamos em nos con­sagrarmos a Ele. Há algo em nossa própria natureza que desejamos conservar para nós mesmos, a fim de desfrutar disso; pois, se realmente fôssemos consagrados ao Senhor, não hesitaríamos, mas dependeríamos prontamente d'Ele e de Sua graça.
É a carne em suas cobiças "contra o Espírito" que nos torna infelizes, preocupados, ansiosos. Toda a angústia de alma e o tormento mental, e os meses e anos de nervosismo, pode­riam ser evitados se nos dirigíssemos a Ele assim que per­cebemos que estamos por demais absorvidos com cuidados e ansiedades concernentes às coisas deste mundo, e que nos fazem esquecer de que devemos estar olhando para Ele, a fim de viver em comunhão com Ele. Jesus ensinou: "... buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33).

Os Crentes Nervosos e as Obras


O paciente nervoso, que é crente, sendo extremamente sensível ao que se passa ao seu redor, deve conservar-se em guarda. O espírito de ansiedade e insegurança que permeia a atmosfera dos "mundanos" tem um efeito contagioso sobre os crentes, até ao ponto em que estes também acabam arruinan­do e exaurindo seus corpos por excesso de atividades. Isso porque se têm enganado a si mesmos, e passaram a acreditar que devem estar ocupados com o serviço do Senhor mediante muitas atividades na igreja e inumeráveis outras organizações religiosas. Não percebem, por outro lado, que o "príncipe deste mundo" os iludiu com tantas atividades Cristãs dignas que acabaram se esquecendo de dedicar algum tempo para comungar com o Senhor.
Três missionários, retornados há pouco de seus campos missionários, apresentavam todos sinais de "esgotamento ner­voso", e se queixavam que tinham tantos deveres que cuidar, no campo de atividades, que não tinham nem tempo para meditação, calma e estudo bíblico.
Muitos ministros em nossas igrejas se queixam da mesma coisa. Essas atividades, embora sejam dignas, não nos de­veriam assoberbar até que fiquemos por demais fatigados, corporal e emocionalmente, para passarmos momentos com o Senhor.
O Senhor Jesus sabia que Seus discípulos precisavam de descansar de seus trabalhos (descanso n'Ele) e que necessita­vam receber forças mediante a comunhão com Ele. Por isso é que lhes disse certa ocasião: "Vinde repousar um pouco à parte, num lugar deserto" (Marcos 6:31).

"Aquele Que Cura Todas as Enfermidades"


O Salmo 103:3 é usualmente considerado fora de seu contexto. Não espere o crente que Deus o cure quando está desafiando as leis naturais de Deus sobre a saúde, seja por hábitos imorais, apetites da concupiscência da carne, ou apenas glutonaria no comer. Se alguém abusar voluntariamente de seu corpo, o templo da alma, e no qual habita o Espírito de Deus, "Deus o destruirá" (I Corintios 3:16, 17).
O crente não pode contaminar seu corpo e então ter a esperança que seu corpo seja oferecido como "sacrifício vivo". Não podemos violar as leis naturais da saúde, estabelecidas por Deus, e então passar bem. Quando violamos Suas regras que dizem respeito à saúde, sofremos. O fato que o sofrimento e a punição não são imediatamente aplicados, quando desafia­mos as regras referentes á saúde, não subentende que podemos passar sem sofrer as conseqüências.
Por exemplo, o homem que fuma, ainda, que pouco, está absorvendo em seu organismo, cada dia mais, um veneno mor­tal — nicotina. Ainda que a quantidade do veneno seja mínima, a nicotina é muito intoxicante, e ataca a muitos órgãos do corpo, causando, eventualmente, a morte por um ataque de coração ou por câncer no aparelho respiratório. Tal pessoa não ignora isso, pelo que também é sem desculpa, pois está deliberadamente ingerindo veneno — no seu corpo, contami­nando o "templo de Deus".
Já parece estranho que a razão e a lógica não sejam ca­pazes de pôr ponto final no estrago a que o mundano sujeita seu próprio corpo. Mas, quando é um crente que se abandona a tais paixões, bem demonstrada fica sua escravidão aos velhos desejos, como também torna-se claro que Cristo não ocupa o lugar de preeminência em sua vida. O pecado não está no fumo, mas no coração do homem, que procura aliviar suas tensões emocionais sem voltar-se para Deus. Semelhantemente, o álcool, em si mesmo, não é pecado; mas, o homem que possui um coração pecaminoso se sente obrigado a satisfazer os maus desejos de seu coração.
O crente que volta as costas a Deus e apela para as be­bidas alcoólicas a fim de abrandar suas emoções e provocar sentimentos de jovialidade, em lugar de apelar para a alegria de Cristo, no íntimo, experimenta as conseqüências de sua escolha desde o começo.
Seus parentes e amigos oram "sem cessar" que Deus tire dele seu desejo por bebidas alcoólicas, mas suas orações não podem ser respondidas, porque a causa do desejo continua pre­sente no coração do homem. Deveriam antes orar para que o Senhor convença o coração do tal, para que ele clame para ser livrado do pecado que se aninhou em seu coração.
Deus nunca prometeu curar um homem das manifestações externas de alguma enfermidade, provocada por emoções ou desejos pecaminosos, enquanto ele não se arrepender em seu coração. O pré-requisito para o livramento é o arrependimento. Jesus geralmente disse àqueles a quem curava: "Teus pecados te são perdoados". A cura da enfermidade vem depois da purificação do coração.

A Gula
Tentar satisfazer a ansiedade comendo muito, leva à obesi­dade. Todos sabem quais os perigos em potencial do peso demasiado. Alimento saudável não é veneno; porém, quando ingerido em excesso, o corpo é envenenado com seus efeitos. Dessa forma, o homem que sofre emocionalmente em sua alma, de ansiedade e insegurança, come mais ou menos continuamente para aliviar a tensão. Nesse caso a alma enferma faz com que o corpo sofra dos efeitos da obesidade, a qual, por sua vez, tem um efeito deletério sobre o corpo, provocando enfermida­des físicas e encurtando a duração da vida.
Nós, na qualidade de crentes no Senhor Jesus Cristo, não devemos permitir que nossas emoções nos levem aos hábitos de complacência para com os apetites corporais, pois tal nos levaria ao sofrimento. Deus não espera que o crente alivie suas ansiedades com hábitos maus, pois a palavra de Deus estipula: "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça" (Filipenses 4:6).

L. Gilbert Little

Um comentário:

Maria José disse...

Amigo. Um belo texto para estudo e reflexão. Obrigada por sua visita ao Arca e pelo comentário enriquecedor. Beijos e fique com Deus.