terça-feira, maio 05, 2009

CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE GIDEÃO

CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE GIDEÃO
Se voltarmos ao capítulo 6 do livro de Juízes, poderemos identificar alguns aspectos do caráter de Gideão que se destacam através da análise de todo o seu contexto e entender o porquê de sua escolha por Deus para dar livramento para o povo de Israel que se encontrava naquela terrível situação de opressão e em completo sentimento de abandono.

1) Gideão era um homem que tinha um chamado de Deus (6.14)
“Então, se virou o SENHOR para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu?”
Gideão pertencia à menor das tribos de Israel e dentre os seus habitantes a sua família era a mais pobre como ele mesmo se identifica quando o Senhor o chama para essa tão importante tarefa.
Com certeza muitos homens de sua época questionassem o fato de Deus usar alguém que não conhecesse tão bem as famílias mais ricas e importantes ou se relacionasse com os poderosos da região para poder fazer alianças com eles e assim proteger o povo. Mas a grande diferença entre Gideão e os outros homens de sua época prendia-se exatamente no fato de pertencer à família mais pobre de sua tribo, porque vivendo em meio às dificuldades do dia-a-dia ele era o homem certo para conduzir aquele povo rumo à vitória que Deus lhes concederia, porque era um homem sensível diante dos problemas de seus semelhantes.
Gideão não era um homem que via o sofrimento do povo de cima para baixo, como a grande maioria de nossos governantes, mas, vivendo as mesmas dificuldades, conseguia olhar para os problemas de todos no mesmo nível, ou seja: no nível de quem sente na própria pele o que é passar por necessidades e viver aguardando continuamente o cumprimento das promessas divinas feitas àquele povo.
A família de Gideão passava pelas mesmas dificuldades que as outras famílias que dependiam unicamente dos seus esforços para se alimentarem.
Vivemos dias em que poucas são as pessoas que verdadeiramente são chamadas por Deus para executarem uma Obra. O que vemos, muitas vezes, são pessoas que se ufanam em grandes homens e mulheres de Deus, se promovem como sendo chamados pelo Todo-Poderoso, mas na verdade as suas obras e testemunhos acabam por comprovar que ao invés de serem chamados eram simplesmente oferecidos.
Muitos se colocam como sendo chamados por Deus porque desejam ter um lugar de destaque na sociedade secular ou até mesmo dentro de uma denominação evangélica.
Vivemos em uma época na qual o egocentrismo campeia em diversos setores da vida e infelizmente está sendo visto também no seio das Igrejas, no meio do povo de Deus.
Os dons ministeriais passaram a ser considerados como simples títulos eclesiásticos e essa visão esta se alastrando com uma velocidade espantosa no nosso meio.
Há alguns anos, as pessoas que se convertiam em uma Igreja evangélica procuravam andar com Deus para servirem naquilo que foram chamadas ou naquilo em que pudessem ser úteis, pouco ou nada importando o nome que se desse ao cargo exercido ou ao trabalho que deveria ser realizado, o que importava na verdade era fazer a Obra de Deus e estar sempre disposto para o trabalho.
Hoje, numa total inversão de valores, as pessoas querem possuir cada vez mais títulos conferidos por homens e não os dons ministeriais que são distribuídos por Deus, pois acreditam que aqueles são muito mais importantes do que estes, entendendo, esses pseudo-sábios, que pelo fato de viverem no mundo poderão usufruir muito mais das regalias que os títulos humanos podem lhes conferir, ao contrário do que o apóstolo Paulo nos ensina em Filipenses 3.4-21:

“Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.
Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.
Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.
Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” (Filipenses 3.4-21)

Para muitos hoje em dia, não basta chegar ao pastorado, mas ao contrário do que nos ensina o apóstolo Paulo no texto que lemos acima, vivemos a era dos apóstolos, muitos “querem ser” apóstolos, “ter anel” de apóstolo, andar em um “carro” de apóstolo, morar numa “casa” de apóstolo, possuir uma “conta bancária” de apóstolo, viajar pelos céus nos “helicópteros” de apóstolos e vai por aí afora, e não nos espantará se em pouco tempo criarem um título de “super-apóstolo” ou até mesmo um de “vice-Cristo” para que todos possam reverenciá-los como os “grandes homens de Deus” de nossa geração, mas se esquecem de que o maior exemplo de chamado vem do próprio Senhor, quando nos diz que “ ... o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 10.45).
Aquele que é chamado por Deus se coloca na posição de servo e não na posição de senhor. Seu desejo é o de fazer o trabalho designado por Deus da melhor maneira possível, sempre achando que seu desempenho ficou aquém do esperado, pois se considera incapaz de realizar tudo como Deus lhe ordena.

2) Gideão era um homem humilde (6.15)
“E ele lhe disse: Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai.”
Atualmente, muitos dos homens que se dizem homens de Deus, se recebessem um chamado como o de Gideão, rapidamente se colocariam diante do Senhor com toda “ousadia” e diligentemente diriam que a batalha seria moleza, pois estiveram se preparando a vida inteira para aquele momento e ainda seriam capazes de dizer: “Deixa comigo Senhor, que eu coloco toda essa cambada de infiéis e incircuncisos pra correr daqui! Pode deixar Senhor que eles me pagam, eles vão ver com quantos paus se faz uma canoa! Vou mostrar com quem eles foram mexer! Eles vão ver quem é que manda aqui!”Felizmente o verdadeiro homem de Deus, aquele que tem realmente um chamado para a Obra do Senhor, nunca se coloca na posição de maioral, mas se coloca sempre em posição de humildade, acreditando que é apenas um instrumento humano a ser usado por Deus para abençoar outras pessoas e como ser humano, limitado que é, estará sempre sujeito a erros e acertos como qualquer ser humano e isso fará com que procure sempre andar em submissão à vontade divina, andar em total dependência de Deus, como advertiu Moisés aos filhos de Israel quando estavam prestes a entrarem na terra prometida para que entendessem que tudo quanto viessem a conquistar seria obra de Deus e não humana e que eles não deveriam se vangloriar de suas conquistas, mas agradecerem a Deus, pois seria Ele quem lhes daria a vitória:
Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança.” (Deuteronômio 8.17,18)O Verdadeiro homem de Deus nunca se vangloria de sua posição nem se envaidece pelo fato de estar sendo usado por Deus, muito menos se auto confere o título de libertador, mas ao contrário, reconhece que sem Deus ele não consegue obter nenhum êxito em sua empreitada.
Meu irmão e minha irmã, se Deus não estiver à frente de qualquer trabalho na Obra é impossível que o obreiro, quer seja, homem ou mulher de Deus, consiga alcançar a vitória.
Poderá até ver seus esforços humanos recompensados pelo crescimento numérico, mas isso não quer dizer que Deus esteja abençoando aquele trabalho.
Muitos confundem quantidade com qualidade. Para eles o fato de uma Igreja estar repleta de pessoas é sinal de que Deus está abençoando aquele trabalho e que aquilo que estão pregando é o correto, que sua postura é a mais adequada para aquele rebanho que lhe foi confiado. Alguns, talvez, até sejam sinceros ao afirmarem isso, mas muitos, na verdade, estão mais preocupados em aparecer, em ser o centro das atenções e também parecerem vitoriosos aos olhos daqueles que os ouvem. A Palavra de Deus nos ensina que muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos (Mateus 22.14). Se fossemos pensar assim, existem muitas atividades seculares que nada têm a ver com a Palavra de Deus e que crescem a olhos vistos, e muito embora tudo passe pela vontade permissiva de Deus, Ele não tem nenhuma participação ativa nisso.
O sucesso humano, material, pode ser alcançado de várias maneiras, independente da participação de Deus, e disso o mundo secular é testemunha, pois vemos pessoas que vergonhosamente estão andando na contramão da Palavra de Deus, chegando mesmo a negá-Lo e, ainda assim, desfilam com os melhores carros, as roupas mais caras e freqüentam os ambientes da moda.
Se entendermos que o sucesso material e numérico é a demonstração de que Deus está envolvido no negócio, então seremos forçados a crer que Deus está abençoando os donos de bingos e instruindo os carnavalescos das escolas de samba para a realização do Carnaval no Brasil; que Ele está abençoando as pessoas que se vestem de demônios na festa de Halloween e que abençoa os donos de Cassinos nos EUA ou ainda estaria, que Ele tenha misericórdia de nós, envolvido também com os cartéis de droga que têm destruído tantas vidas, sem falar nas diversas seitas religiosas que estão arrastando multidões de seguidores diretamente para o Inferno.Aqueles que pensam que agindo independentemente da vontade divina agradarão a Deus estão redondamente enganados.
Precisamos nos colocar na posição de servos e não na de senhores.
Para aqueles que se mostram humildes e tementes a Deus, a Bíblia nos ensina em Provérbios 22.4 que “O galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, e honra, e vida.”Gideão podia ser usado poderosamente por Deus, pois era um homem humilde. Entendia que era limitado e que necessitava da manifestação divina para conseguir o que queria.
Esse comportamento de Gideão deveria acompanhá-lo sempre, infelizmente, ele caiu no erro de muitos dos atuais pregadores que crêem que para demonstrar que Deus está agindo em suas vidas devem mostram ostentação e riquezas. Como veremos no texto de Juizes 8.23-27, essa atitude acabou se transformando em laço para a sua vida, pois a partir dessa atitude o povo passou a se prostituir crendo que a manifestação e a bênção de Deus deveriam ser acompanhadas de objetos materiais e não de consagração espiritual. Diz-nos o texto:

“Porém Gideão lhes disse: Não dominarei sobre vós, nem tampouco meu filho dominará sobre vós; o SENHOR vos dominará.
Disse-lhes mais Gideão: Um pedido vos farei: dai-me vós, cada um as argolas do seu despojo (porque tinham argolas de ouro, pois eram ismaelitas).
Disseram eles: De bom grado as daremos. E estenderam uma capa, e cada um deles deitou ali uma argola do seu despojo.
O peso das argolas de ouro que pediu foram mil e setecentos siclos de ouro (afora os ornamentos em forma de meia-lua, as arrecadas e as vestes de púrpura que traziam os reis dos midianitas, e afora os ornamentos que os camelos traziam ao pescoço).
Desse peso fez Gideão uma estola sacerdotal e a pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ela; a estola veio a ser um laço a Gideão e à sua casa.”

3) Gideão era um homem que adorava a Deus e tinha compromisso com Ele (6.18-20)

“Rogo-te que daqui não te apartes até que eu volte, e traga a minha oferta, e a deponha perante ti. Respondeu ele: Esperarei até que voltes.
Entrou Gideão e preparou um cabrito e bolos asmos de um efa de farinha; a carne pôs num cesto, e o caldo, numa panela; e trouxe-lho até debaixo do carvalho e lho apresentou.
Porém o Anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os bolos asmos, põe-nos sobre esta penha e derrama-lhes por cima o caldo. E assim o fez.”

Deus esta buscando homens e mulheres que sejam verdadeiros adoradores.
Muitos confundem adoração com música. Com certeza louvar através de canções que O engrandeçam é também uma forma de adoração. Mas Gideão nos mostra que uma forma de adoração é também oferecer sacrifícios ou ofertas de gratidão ao Senhor, porque naquele momento ele se derramava na Sua presença e mostrava sua total dependência dEle.
Naquela época o povo de Deus oferecia holocaustos (sacrifícios de animais) como forma de adoração ao Senhor ou ainda como forma de agradecimento, como podemos ver ao longo de todo o Livro de Levítico que determina e orienta a forma como deveriam ser realizados.
Hoje, não precisamos mais oferecer nenhum animal como forma de holocausto, pois o Senhor Jesus já se ofereceu definitivamente em nosso lugar na Cruz do Calvário, fazendo-se maldito em nosso lugar, para que os nossos pecados fossem perdoados.
Percebemos através dessa passagem bíblica, que Gideão fez tudo conforme o Anjo de Deus lhe orientara. Certamente Gideão já havia oferecido muitos holocaustos como aquele e poderia dizer ao Anjo que não necessitava de nenhum tipo de orientação, mas ele não agiu assim.
Felizmente Gideão não se parece em nada com muitos de nós em nossos dias. Ele fez tudo o que o Anjo lhe ordenara e sabia que em agindo assim o Senhor se agradaria de sua oferta.
Quantos de nós pode dizer que tem levado uma vida que possa refletir à nossa volta que somos verdadeiramente adoradores e compromissados com Deus?
Perdem-se nas noites do tempo os dias quando o simples fato de pertencermos a uma Igreja evangélica era suficiente para que todas as pessoas do mundo secular nos identificassem como pessoas que temiam, adoravam e eram compromissadas com Deus e com a Sua Palavra.
O “ser crente”, como muitos se referem aos cristãos evangélicos, não implica, para uma grande parte dos membros das Igrejas, que a pessoa deva abdicar de tudo aquilo que a ligava ao mundo. Muitas de nossas Igrejas se transformaram em verdadeiros locais de reuniões sociais, onde a preocupação maior não é a de adorar a Deus e sim a de manter um “relacionamento” com os irmãos. Para alguns a Igreja é um lugar de encontro, um “point gospel” como muitos dizem atualmente.
Muitos buscam um avivamento no meio do povo de Deus, mas poucos estão dispostos a pagar o preço para que haja um avivamento em seu próprio interior. Oramos por um avivamento, mas continuamos a ter o mesmo comportamento de quando estávamos fora da Igreja: usamos as mesmas roupas, falamos da mesma maneira, freqüentamos os mesmos lugares, ouvimos as mesmas músicas, lemos os mesmos livros e nos relacionamos com as mesmas pessoas porque não queremos ser taxados de “diferentes”, “estranhos”, “fanáticos” e para mostrarmos que o fato de termos entregado nossas vidas ao Senhor Jesus não fez de nós pessoas esquisitas e diferentes, acabamos mantendo os mesmos hábitos, apenas acrescentamos ao nosso “programa semanal” a nossa ida a Igreja.
Você, querido leitor, acha que estou exagerando ou estou sendo muito duro? Se estiver, peço a Deus que me mostre o cenário em que vivemos de maneira diferente, pois o que tenho visto me leva, infelizmente, a afirmar essas coisas.
No desejo de fazer com que as Igrejas estejam repletas de pessoas das mais variadas idades, muitos dizem que há seu tempo Deus efetuara a transformação.
Sou membro de uma Igreja Batista Renovada, que apesar da oposição de alguns, continua mantendo a “tradição” de contar entre os louvores os hinos do Cantor Cristão e da Harpa Cristã. Em meio aos louvores mais recentes, pelo menos dois hinos do Cantor ou da Harpa são entoados em cada um dos trabalhos da Igreja. Para muitos opositores esse “tipo” de louvor faz parte de um passado que eles querem esquecer, pois mostra o radicalismo dos antigos em relação à mudança. Felizmente em nossa Igreja a grande maioria, incluindo os jovens, compreende a importância de se manter essa “ponte” com o passado para que possam construir um futuro no qual a adoração e o compromisso com Deus estejam à frente de tudo aquilo que deve nortear suas vidas. Não digo que devemos voltar no tempo, mas precisamos aprender com nossos antecessores, conservando aquilo que nos aproxima de Deus e eliminando o que nos afasta dEle e da pregação do puro e verdadeiro evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ter compromisso com Deus é ter compromisso com a Sua Palavra e com aquilo que Ela exige daqueles que se dizem pertencentes a Deus.
Por essa razão somos contrários à expressão “aceitar a Jesus” que muitos de nós usamos quando fazemos apelos aos pecadores. Entendemos que a expressão correta deve ser “reconhecer a Jesus” pois implica em uma entrega total e não em uma atitude temporária.

4) Gideão era um homem que tinha temor do Senhor (6.22,23)
“Viu Gideão que era o Anjo do SENHOR e disse: Ai de mim, SENHOR Deus! Pois vi o Anjo do SENHOR face a face.
Porém o SENHOR lhe disse: Paz seja contigo! Não temas! Não morrerás!”

A Bíblia nos ensina que “o temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos.” (Salmo 19.9)Enganam-se aqueles que crêem que o temor a Deus está relacionado ao medo da forma como nós o conhecemos no mundo: aquele medo “tipo” pavor! Parecendo aqueles filmes de terror que passam depois da meia-noite, em que é sangue pra todo lado e muitos crentes ficam horas a fio assistindo esses espetáculos de mau gosto e manifestações demoníacas. Haja estômago!
Temer ao Senhor é muito diferente de temer ao ser humano.
Vivemos em uma época de violenta sem precedentes na história. Com muita freqüência a promiscuidade, a ganância e a sensualidade estão ligadas ao uso constante ou esporádico de drogas socialmente aceitas como o álcool ou ao uso de entorpecentes das mais variadas espécies, ao uso de armas e a desenfreada libertinagem que corre à solta por todos os lados, fazem com que a maioria das pessoas tenha medo até de permanecer dentro de suas próprias casas, porque mesmo acreditando estar segura dentro de “suas paredes”, ainda estará ameaçada de ser atingida por uma bala perdida, disparada pela arma de algum policial ou marginal que se enfrentam a qualquer hora e em qualquer lugar, quer ameacem inocentes quer não.
De nada adiantam os chamados Condomínios fechados, onde as pessoas com mais recursos financeiros podem morar, locais cheios de seguranças com dispositivos eletrônicos, muros altos que mais parecem presídios e homens armados, pois temos visto, e a imprensa falada e escrita nos mostra isso todos os dias, que quando os ladrões desejam invadir esses lugares, eles o fazem e parece que nada nem ninguém os pode deter. Em alguns casos os sistemas eletrônicos são perfeitos, mas não se pode controlar todo o sistema, pois quem os aciona são seres humanos e nesses casos muitos dos assaltos verificados tiveram a participação de funcionários que acabaram se tornando cúmplices desses marginais.
Antigamente, quando começou essa onda de violência que presenciamos todos os dias, as pessoas tinham medo de voltarem tarde da noite para seus lares. Hoje, ao contrário, as pessoas estão com medo até de suas sombras. Elas não estão apenas com medo de voltarem para suas casas, mas têm medo até mesmo de saírem delas ou permanecerem nelas.
O valor da vida humana está nivelado por baixo. Uma vida, muitas vezes, não vale mais do que um par de tênis ou de uma peça de roupa de grife, que muitas vezes nem autenticas são.
Temer ao Senhor, como nos ensina a Bíblia é muito diferente, porque, muito embora Deus seja justo, Ele é, acima de tudo, a manifestação do amor por excelência.
A Bíblia Sagrada nos diz que o amor de Deus é tão grande por nós que chegou a ponto de enviar seu próprio Filho para morrer pelos nossos pecados. Pecados, aliás, que eram somente nossos, e muitos se esquecem disso. Jesus morreu por nós, livrando-nos das garras de Satanás, porque sabia que nossos pecados nos afastavam da presença de Deus e o projeto de Deus para o homem é o de ter intimidade com ele e não de vê-lo isolado da Sua presença.
O apóstolo João quando procurou definir a Deus não encontrou nada melhor que expressasse aquilo que realmente sentia e simplesmente disse: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (I João 4.8).Temer a Deus é ter um compromisso com Ele e com a Sua Palavra. É buscar conhecê-lO e viver em humilde diante da Sua presença.
Quando amamos nosso próximo como Jesus nos ensinou estamos demonstrando temor a Deus, porque estamos cumprindo a Sua vontade.
Muitos pensam que Deus nos trata como nos tratariam nossos semelhantes. Muitos de nossos amigos se afastam de nós quando não agimos com correção em relação a eles: são incapazes de nos perdoar e não raras são às vezes em que desejam pagar na mesma moeda.
Deus, ao contrário, está sempre pronto a nos perdoar. Demonstrar temor a Deus não é somente não pecar contra a Sua santidade, mas quando pecarmos reconhecer que Ele é amor e que deseja nos perdoar. É nos apresentarmos diante dEle com arrependimento sincero para alcançarmos o Seu perdão e a partir de então mudarmos nossa trajetória, procurando de todas as formas evitar novamente o pecado, muito embora saibamos que nunca conseguiremos nos desvencilhar do pecado como um todo, podemos sim lutar com todas as forças contra ele e se porventura ainda venhamos a cair nas suas garras, devemos lembrar do que nos ensinou o apóstolo João:
“Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;
e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.” (I João 1.8-10; 2.1,2)

5) Gideão era um homem obediente à vontade divina (6.25-28)

“Naquela mesma noite, lhe disse o SENHOR: Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal que é de teu pai, e corta o poste-ídolo que está junto ao altar.
Edifica ao SENHOR, teu Deus, um altar no cimo deste baluarte, em camadas de pedra, e toma o segundo boi, e o oferecerás em holocausto com a lenha do poste-ídolo que vieres a cortar.”

Gideão fez tudo conforme a ordem de Deus: destruiu o altar de Baal que pertencia a seu pai e edificou em seu lugar um altar ao Senhor e nele ofereceu o sacrifício que lhe fora ordenado, porque era antes de qualquer coisa, um homem obediente a Deus.
Muitos de nós também temos altares que precisam ser derribados de nossas vidas e nos recusamos a fazê-lo mesmo diante das sucessivas ordens divinas.
Queremos servir a Deus, mas não queremos nos desvencilhar de nossa “vidinha” confortável, do nosso merecido descanso em nossa casa na praia ou no campo depois de uma semana de árduo trabalho.
Temos muitos ídolos que precisam ser retirados e substituídos pelo altar do Senhor.
Precisamos colocar aos pés do Senhor as nossas vaidades, inseguranças, prepotências, desinteresse pelas coisas divinas, desamor e tudo o mais que faz parte da vida moderna e que agradam a tantos, mas infelizmente desagrada a Deus, e a Bíblia nos ensina que o mais importante é agradar a Deus e não aos homens.
Precisamos substituir esses defeitos pelas virtudes anunciadas na Palavra de Deus.
Muitos acreditam que podem ser desobedientes à vontade divina, acreditando que podem enganar a Deus, e o apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas nos mostra o que acontecerá com aqueles que obedecem e os que não obedecem a Deus:

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.
Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.
E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.”
(Gálatas 6.7-9)

Como vimos, Gideão era um homem que estava disposto a servir a Deus, mas queria ter certeza de que era mesmo da Sua vontade que fosse ele o instrumento pelo qual o Senhor libertaria seu povo.
A principio, Gideão titubeia um pouco, como muitos de nós também faríamos. Ensaia uma saída pela tangente, pela esquerda, mas como não estava conseguindo resistir ao chamado de Deus, queria, então, ter certeza absoluta de que realmente era Deus quem o havia escolhido.
Gideão resolve então colocar Deus à prova. Muitos podem até pensar que Gideão procurou agir da maneira como tantos outros já o haviam feito anteriormente, na tentativa de que Deus “desistisse” da idéia e chamasse outro, mas não cremos que essa tenha sido a posição de Gideão.
Primeiro pediu ao Senhor dizendo: Senhor, vou colocar um punhado de lã na terra, e se for mesmo o Senhor quem me chamou, a lã ficará cheia de orvalho e a terra em volta ficará seca.No dia seguinte ele foi conferir e estava tudo como havia pedido. Então disse ao Senhor: Senhor não fique nervoso comigo, mais uma prova Te peço: que a lã fique seca e a terra molhada. E assim aconteceu.
Sabendo assim que era Deus quem realmente o havia chamado, levantou os homens para guerrear, um total de 32.000 homens. Porém, Deus disse que eram muitos e lhe pediu para que anunciasse que os tímidos e medrosos voltassem para casa. 22.000 o abandonaram. Dos 10.000 restantes, Deus mandou que Gideão observasse aqueles que bebessem água lambendo-a sem se ajoelhar. Somente 300 homens ficaram.
Dessa forma, com apenas 300 homens, ninguém poderia dizer que Gideão vencera porque o seu exército era numeroso e sim porque a mão de Deus o havia dirigido e dado a vitória a Israel.
Após a conquista dos 300 homens de Gideão, os efraimitas, que, como vimos, pertenciam a uma das maiores e mais poderosas tribos de Israel, se levantaram contra ele da mesma forma como se levantaram contra outros lideres, aparecendo sempre com uma “capa” de alguém que deseja colaborar, que se mostra pronto a fazer as coisas sempre que elas já aconteceram. São bajuladores, aproveitadores, escondem-se para não colaborar e quando termina a batalha aparecem para “ajudar”.
Me desculpem a comparação, mas essa situação se parece muito com aquelas cenas de filmes do velho Oeste americano no qual os habitantes da cidade lutavam bravamente contra os índios e quando estavam quase sendo massacrados pedem ajuda para a Cavalaria, mas como esta demora muito para chegar ao local da batalha, eles resolvem lutar sozinhos e conseguindo reverter a situação acabam por vencer a batalha. Quando todos estão arrumando os corpos e tratando dos feridos a Cavalaria chega para ajudar. Muitos agem dessa maneira. Na verdade querem apenas se aproveitar da situação.
Em juizes 12.1-3 Efraim, ou seja, a tribo de Efraim faz a mesma “reclamação”, mas desta vez acabam “caindo do cavalo”, pois Jefté, que não era nada político, desmentiu que não os havia chamado para a batalha e sim, que eles, se recusaram a participar.
(Texto extraido do Livro "Ciúme. Esse mal tem cura!" de autoria de Antonio Carlos da Cunha)
Da mesma forma que Gideão foi um homem compromissado com a vontade de Deus, nós também, hoje em dia o podemos ser, basta termos a disposição de nos entregarmos a Ele de todo o nosso coração e deixar que Ele nos use de acordo com a Sua vontade.
Ele continua o mesmo e assim permanecerá eternamente, porque nEle não há sombra de variação como nos declara a Palavra de Deus em Tiago 1.17, por essa razão poderá nos usar assim como usou a Gideão e tantos homens e mulheres ao longo da história.
Façamos parte dessa história vitoriosa, escrevendo um capítulo no qual nossos nomes apareçam como servos fiéis e verdadeiros que buscaram fazer a vontade do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Sejamos simplesmente servos e Ele a Seu tempo nos exaltará para o louvor da Sua Glória.
Ele está nos esperando. Entreguemo-nos a Ele. Confiemos nEle e deixemos que Ele dirija nossas vidas. Ele fará de nós uma bênção maior do que somos hoje.
O mundo espera por homens e mulheres que proclamem e vivam em intensidade e integridade a Palavra de Deus.
Alistemo-nos nesse exército.
Que o Senhor nos abençoe e guarde hoje e sempre.

Um comentário:

A Linguagem da História disse...

Quero neste pequeno texto reafirmar todas as posições escritas neste maravilhoso estudo. Sou de uma igreja também Batista Renovada e temos lutado para que a igreja seja santa e dê exemplos de santidade e fidelidade a DEUS diante deste mundo incrédulo.Vou apregoar gideão como exemplo de um servo que precisa ter o caráter moldado por DEUS e ter o cuidado de não se deixar levar pela exaltação quando as conquistas chegarem. obrigada, amei muito